Como calcular e usar a relação ouro-prata
A relação ouro-prata mostra quantas onças de prata compram uma onça de ouro. Veja a fórmula, exemplos de 2026 e como traders a utilizam.
A relação ouro-prata é quantas onças de prata compram uma onça de ouro: relação = preço do ouro ÷ preço da prata. Com o ouro a US$ 4.063,17 e a prata a US$ 59,04 em 26 de junho de 2026, a relação era de cerca de 68,8. Uma relação alta significa que a prata está barata em relação ao ouro. Ela oscilou de acima de 100 em 2025 para abaixo de 60.
A fórmula
Relação ouro-prata = preço do ouro por onça ÷ preço da prata por onça
Exemplos práticos
- 27 de fevereiro de 2026: US$ 5.246,70 ÷ US$ 92,02 = 57,0
- 26 de junho de 2026: US$ 4.063,17 ÷ US$ 59,04 = 68,8
Figura: A relação em 2026. Fonte: USAGOLD.
Como os traders usam
- Valor relativo: alguns traders compram prata e vendem ouro quando a relação está historicamente alta, apostando que ela vai cair, e fazem o inverso quando ela está baixa.
- Sinal de ciclo: a prata costuma ficar atrás do ouro no início das altas e depois alcança, comprimindo a relação.
- Alocação: investidores usam a relação para escolher entre metais.
Uma operação com a relação (ilustração)
Se a relação cair de 80 para 70 com o ouro inalterado, a prata terá subido cerca de 14% em relação ao ouro (80 ÷ 70 − 1). Uma posição comprada em prata e vendida em ouro, de valor igual, ganharia aproximadamente esse valor, antes dos custos.
Uma operação com a relação, dimensionada e calculada
Usando os preços de 26 de junho de 2026, um trader abre uma posição de US$ 20.000 em cada lado: comprado em cerca de 338,8 onças de prata a US$ 59,04 e vendido em cerca de 4,92 onças de ouro a US$ 4.063,17. A relação é 68,8. Suponha que a relação caia para 60 enquanto o ouro permanece em US$ 4.063,17. A prata precisaria subir para cerca de US$ 67,72, um ganho de cerca de 14,7%, ou aproximadamente US$ 2.940 na perna da prata, enquanto a perna do ouro fica estável. Se, ao contrário, o ouro subisse e a prata permanecesse estável, a relação aumentaria e a posição teria prejuízo. (Operação ilustrativa; os resultados reais dependem dos dois preços.)
Margem para as duas pernas
Pelas regras de varejo da União Europeia, o ouro tem margem de 5% com alavancagem de 20:1, e a prata, margem de 10% com alavancagem de 10:1. No exemplo, a perna da prata exige cerca de US$ 2.000 e a perna do ouro cerca de US$ 1.000, um total de aproximadamente US$ 3.000 para uma exposição combinada de US$ 40.000. Como ambas as pernas são alavancadas, um movimento acentuado contra a operação em qualquer um dos metais pode consumir rapidamente essa margem, mesmo que a relação acabe se movendo na direção esperada.
Custos de manter uma posição com a relação
Uma operação com a relação envolve duas posições, por isso paga dois spreads e, se mantida de um dia para o outro, financiamento nas duas pernas. Dependendo do provedor, a perna vendida em ouro pode gerar um pequeno crédito ou cobrar uma taxa, enquanto a perna comprada em prata normalmente paga. Ao longo de semanas ou meses, esses custos podem consumir uma parcela relevante do ganho esperado, por isso devem fazer parte do plano antes de a operação ser aberta. Veja como funciona o financiamento overnight de CFDs.
Limitações
A relação não tem um nível “justo” fixo; ela variou de acima de 100 a abaixo de 60 em cerca de um ano. As duas pernas carregam alavancagem e custos, e a volatilidade da prata significa que as perdas podem crescer rapidamente.
Veja também ouro versus prata: como seus fatores diferem, quanta margem você precisa para um lote de ouro e como funcionam os CFDs de commodities.
A relação no longo prazo
Por séculos, os governos fixaram o valor do ouro em relação à prata: em 1792, a lei dos Estados Unidos o definiu em cerca de 15 para 1. Desde que os metais passaram a ser negociados livremente, a relação se moveu numa faixa muito mais ampla, subindo acima de 100 em momentos de estresse, como em março de 2020 e novamente em 2025, e caindo para a casa dos 60 ou menos em fortes altas da prata. Esse histórico mostra por que não existe um nível natural ao qual ela necessariamente deva retornar.
Quando a relação tende a subir
A relação costuma subir em recessões e em períodos de estresse financeiro, quando a demanda industrial por prata enfraquece e os investidores preferem o mercado do ouro, mais profundo e considerado mais seguro. Ela tende a cair durante fortes altas dos metais preciosos, quando a prata alcança e depois supera o ouro. Acompanhar o cenário econômico junto com a relação ajuda a avaliar se uma leitura elevada reflete medo temporário ou fraqueza duradoura na demanda por prata.
Exemplo prático: a relação sobe
Considere a mesma posição de US$ 20.000 em cada lado, aberta com uma relação de 68,8. Se a relação subir para 80 com o ouro inalterado em US$ 4.063,17, a prata deve cair para cerca de US$ 50,79, uma queda de aproximadamente 14%, o que custa cerca de US$ 2.800 na perna da prata. A perda tem tamanho semelhante ao ganho que haveria se a relação tivesse caído para 60, o que mostra que uma operação com a relação é uma aposta em duas direções sobre o desempenho relativo, e não uma posição segura. (Operação ilustrativa.)
Usando a relação sem vender a descoberto
Muitos investidores usam a relação apenas para decidir qual metal manter. Quando a relação está alta, eles preferem a prata; quando está baixa, passam para o ouro. Ao longo de períodos longos, alternar entre os metais dessa forma pode aumentar o número de onças mantidas, desde que a relação oscile para frente e para trás. A abordagem evita os custos e riscos de uma posição vendida, mas ainda depende de a relação se mover como o esperado.
Lendo a relação em um gráfico
Muitas plataformas de gráficos conseguem plotar diretamente o ouro dividido pela prata. Observar a relação ao longo de vários anos mostra sua faixa típica e a velocidade com que pode se mover. Marcar no gráfico os períodos de estresse econômico torna fácil perceber a ligação entre recessões e alta da relação. Como a relação é um quociente de dois preços, uma relação estável pode esconder grandes movimentos nos dois metais.
Outras razões entre metais preciosos
Operadores também acompanham relações como ouro para platina, que compara dois metais com padrões de demanda muito diferentes. A platina é usada principalmente na indústria, especialmente em sistemas de escape de veículos, por isso sua relação com o ouro reflete a perspectiva industrial ainda mais fortemente do que a da prata.
Interpretações equivocadas comuns
- Presumir que a relação deve voltar a uma média passada.
- Esquecer que as duas pernas carregam seu próprio risco de preço.
- Ignorar os custos de manter duas posições.
A relação ao longo do ciclo, ilustrada
Suponha que um susto de recessão ocorra. (Cenário ilustrativo.) O ouro sobe 3% à medida que os investidores buscam segurança, enquanto a prata cai 5% por preocupações com a demanda industrial. Com o ouro a US$ 4.000 e a prata a US$ 50 antes, a relação era 80; depois, com o ouro a US$ 4.120 e a prata a US$ 47,50, passa a ser cerca de 86,7. Um mês depois, quando o susto passa e os dados da indústria melhoram, a prata se recupera mais rápido que o ouro e a relação volta a cair. Oscilações como essas refletem mudanças na perspectiva econômica tanto quanto mudanças na demanda por metais preciosos.
Uma rotina com a relação
Uma vez por semana, anote a relação, sua faixa no último ano e qualquer mudança na perspectiva econômica. Marque os níveis em que você consideraria preferir um metal ao outro, bem como as evidências que gostaria de ver antes de agir. Registrar isso com antecedência torna as decisões mais consistentes e impede que a relação se torne motivo para operações impulsivas. Revisar essas anotações após alguns meses mostra se a relação realmente ajudou suas decisões ou apenas acrescentou mais um número para observar. Evidências registradas geralmente superam a intuição na escolha entre dois metais voláteis.
Perguntas frequentes
Qual é uma relação ouro-prata normal?
Não existe um nível normal fixo. Nas últimas décadas, ela frequentemente oscilou entre cerca de 50 e 90, mas em alguns momentos se afastou bastante dessa faixa.
Preciso operar os dois metais para usar a relação?
Não. Muitos operadores usam a relação apenas como guia para identificar qual metal parece relativamente barato e então operam apenas um deles.
Valores de alavancagem, margem e custos apresentados neste artigo são valores de exemplo, apenas para ilustração. Os termos reais dependem do provedor, do instrumento e das regras do seu país.
Este artigo é conteúdo educativo e não constitui aconselhamento financeiro, de investimento, jurídico ou tributário. Ativos digitais são voláteis e você pode perder o valor investido.
Fontes
- Ouro se recupera acima de US$ 4.060 (ouro US$ 4.063,17 e prata US$ 59,04, relação perto de 68,8, 26 de junho de 2026) — USAGOLD
- Preço spot do ouro dispara acima de US$ 5.246 (prata US$ 92,02; relação 57,0, 27 de fevereiro de 2026) — USAGOLD
- Perspectiva para metais preciosos em 2026 (a relação ouro/prata ultrapassou 100 em 2025 e depois ficou em ou abaixo de 60; prata acima de US$ 60) — CME Group, 2026
- ESMA adota medidas para CFDs (ouro 20:1; commodities além do ouro 10:1) — Finadium